Acreditamos que somos livres porque desconhecemos o que fazemos com a mente. Ou, melhor: não temos ideia do que a mente faz conosco. A mente nos domina. Estamos presos e sequer percebemos. Qual o caminho para atingirmos a consciência? Vejamos.
Introdução: o coração além dos batimentos e a prisão Invisível
Você já parou para pensar que existe algo em você que é muito maior do que seus pensamentos, suas preocupações e até mesmo do seu próprio corpo? Algo que nunca foi ensinado na escola, mas que é a chave para a verdadeira liberdade?
Vivemos na pressa, buscando segurança, controlando cada passo. O mundo parece um grande quebra-cabeça de regras e expectativas. O nosso coração, esse órgão vital, muitas vezes é limitado a uma simples bomba que mantém o sangue circulando, garantindo que a nossa mente continue a pensar. Mas, e se o coração fosse muito mais? E se ele fosse um portal para a intuição que estamos ignorando?
A verdade é que uma imensa maioria de nós está vivendo em uma prisão invisível: a prisão das nossas próprias ideias, dos nossos julgamentos e daquelas “certezas” que criamos sobre a vida ser dura e injusta. Estamos presos ao nosso Ego – a versão de nós mesmas feita de memórias e medos.
Foi essa escuridão da mente que Jesus se tornou. Ele não veio trazer uma nova religião ou mais regras, mas sim uma chave para sair dessa cela mental. Ele foi o exemplo de um ser humano que despertou e, por isso, podia nos indicar o caminho.
Essa mensagem central de despertar está registrada de forma enigmática em um dos seus ditos mais profundos.
O dito 17 do Evangelho Gnóstico de Tomé: o presente inatingível
Jesus, o Mestre da Consciência, disse:
“Eu lhes darei o que nenhum olho viu, nenhum ouvido ouviu, nenhuma mão tocou e o que não entrou no coração do homem.”
O que é esse tesouro que ninguém viu?
A recompensa que Jesus promete não está em um futuro distante, nem é algo que você possa comprar ou ganhar após a morte. É algo que está aqui e agora, no centro do seu Ser, e que a sua mente distraída simplesmente não consegue entender.
Esse tesouro é a Consciência Pura.
1. Não visto e não ouvido: a natureza do Ser
A consciência não é um objeto. Você consegue ver o silêncio? Consegue ouvir o espaço entre as estrelas?
Exemplo metafórico
Imagine que você está assistindo a um filme. O filme (o mundo, seus problemas, seus pensamentos) muda constantemente. A tela, porém, permanece a mesma, intocada pelas cenas de alegria, drama ou terror que são projetadas nela. A consciência é a tela imutável sobre a qual toda a sua vida é projetada. É por isso que ela “não pode ser vista” (não é parte do filme) nem “ouvida” (não faz parte do diálogo da sua mente).
Para autorreflexão: se tudo o que você pensa e sente está em constante mudança, o que é Aquele que está observando tudo isso? Quem é o silêncio por trás do barulho?
2. Não tocado: material além da realidade
A consciência não tem peso, forma ou cor. Ela está além da terceira dimensão. Tentar alcançá-la pelo esforço mental ou físico é como tentar segurar o vento com a mão.
Exemplo do dia a dia
Quando você se torna consciente de que está ansioso, essa consciência que percebe a ansiedade não é a ansiedade. Ela é o espaço, a clareza que permite uma observação. Esse espaço de clareza não pode ser tocado, mas é o que lhe dá a liberdade de não ser uma ansiedade. É o “Eu Sou” por trás do “Eu estou (ansioso)”.
Para autorreflexão: você é os seus sentimentos e pensamentos, ou é a testemunha silenciosa deles? Onde você busca a paz: no mundo externo (coisas em que se pode tocar) ou dentro do espaço da sua consciência?
3. Não entrei no coração do homem inconsciente: o véu do ego
Este é o ponto crucial. A consciência já está em todos nós, mas ela “não entrou no coração do homem” que está inconsciente. Por quê? Porque o coração do homem inconsciente está lotado de outras coisas, tais como:
Lógica e controle: a busca incessante por respostas e o desejo de controlar o futuro.
Julgamento: o hábito de rotular tudo como bom/mau, certo/errado, justo/injusto, moral/imoral…
O Ego: a identidade que vive do passado e se preocupa com o futuro.
Para o homem adormecido, a vida é uma equação matemática. A consciência, porém, fala a linguagem da intuição, da compaixão e da paz profunda. É o sentir que não pode ser explicado. Jesus, através do seu amor e sabedoria, convida você a romper o véu do Ego, a silenciar o ruído mental para que essa Voz do Ser possa finalmente ser sentida.
Para autorreflexão: quais são as “certezas” que você tem sobre si mesmo e sobre a vida, que o estão impedindo de ver o novo? Você está disposto a abandonar a necessidade de estar certo para ter uma chance de ser livre?
O dito 17 é o convite de Jesus para que você desista de buscar a vida no lado de fora, e mergulhe no infinito presente que existe em você. É o despertar da Consciência Crística (o Ser Iluminado) em você.
Referências e sugestões de leitura
Eckhart Tolle. O Poder do Agora.
G. I. Gurdjieff. Em Busca do Ser.
Jean Yves-Leloup. O Evangelho de Tomé
Jiddu Krishnamurti. Liberte-se do Passado.
Michael A. Singer. A Alma Indomável.




