Divergência político-ideológica e amizade verdadeira: incompatibilidade.

Escutei o psicólogo

Rossandro Klingey – aparentemente desapegado de ideologia política – dizer mais ou menos o seguinte, em entrevista à jornalista Leda Nagle (de quem gosto e a quem admiro), em 24/12/2018: “Não tem sentido brigar com familiares ou amigos por divergências políticas. Antes da política, a pessoa é seu avô, pai, irmão, amigo, sua mãe, amiga etc. Aliás, a pessoa sequer conhece o político que defende, na maioria das vezes!”

Particularmente, simpatizo com o psicólogo Rossandro; no geral, gosto dos seus ensinamentos realistas, coerentes e embasados. Mas, no tocante ao comentário que fez e mencionei, estou certo de sua fragilidade. Razão simples: por trás da opinião política, encontram-se implicitamente valores inerentes ao caráter do cidadão que a sustenta. E é pela identificação de valores e atitudes correlatos ao caráter que percebemos o grau de integridade, de confiabilidade e de honestidade intelectual de alguém. É fato.

Daí, facilmente se elucida o porquê de supostas “amizades” de 20, 30 ou 40 anos terem sido rompidas durante a campanha eleitoral de 2018. Esclarece também o motivo pelo qual um eventual mal-estar frente a discordâncias de opiniões é capaz de gerar mágoas e ressentimentos profundos e indeléveis. Explica igualmente o abalo de uma suposta relação de longa data, devido a um dos presumidos amigos não ter dado a mesma importância a compromisso que, previamente firmado, não pôde ser cumprido, em vista de acontecimento-surpresa não aceito como justificativa pelo outro. Dentre outras infindáveis hipóteses.  A verdade é que, no transcorrer do período de prolongada amistosidade, nunca houve momentos de conflitos reais, nos quais valores fossem colocados à prova. Então, compreensível que o longevo relacionamento, sempre harmônico e pacífico, fosse confundido em conteúdo com o valor amizade.

Da mesma forma, porém, em sentido de construção e consolidação de um verdadeiro encontro de almas, essa constatação responde por que amizades sólidas são formadas quase que repentinamente entre pessoas até recentemente desconhecidas, logo após um contato intenso e relativamente breve, tal como por ocasião de um curso intensivo de quatro dias ou de fim de semana. Parecem conviver há décadas, de tão compatíveis que são os seus valores pessoais internalizados, modo de pensar, atitudes, crenças e visões de vida e mundo.

Novamente 2018: esquerda ou direita? Haddad ou Bolsonaro? O que estava em disputa? Digo: muita, mas muitíssima coisa! Sobretudo, valores; valores que implicitamente possibilitam a qualificação de um povo e são alicerces do regime político vigente. Especificamente no caso do Brasil, em tempos para lá de estranhos, diria que os valores socialmente predominantes não vinham tendo voz desde a utópica redemocratização. Na prática, tem valido, sim, uma institucionalizada inversão de valores, conduzida e empurrada de cima para baixo pelo STF, enfiada goela adentro da população brasileira majoritária e conservadora. STF, apoiado por agentes públicos, pseudojornalistas, pelo aparelhamento do sistema universitário e pela doutrinação incessante, direta ou subliminar, a cargo de professores militantes. Supremo Tribunal Federal apoiado, sim, por todos os que rezam pela mesma cartilha ideológica.

A situação denotava uma espécie de guerra assimétrica velada e sustentada pela lastimável e covarde manipulação de princípios da Constituição socializante de 1988. Guerra que ainda perdura e não tem prazo de encerramento prefixado. Ao fim e ao cabo, tudo era e é feito pela “democracia”, obviamente. Como dizia Winston Churchill, a Democracia é o pior dos regimes, mas não há nenhum melhor. Contudo, como íntima, intuitiva e empiricamente se sabe que jamais existiu e não existe regime democrático por aqui, em 2018 acendeu-se uma chama de esperança.

Em curtas palavras, em 2018 estavam em jogo duas opções: i) a esperança de vivenciar o Brasil entrar numa fase de transição e se tornar uma Democracia legítima daqui a alguns anos (Bolsonaro); ou ii) a satisfação em ver perpetuada uma ideologia nefasta, por meio de políticas de governo que puseram o país no patamar da estagnação socioeconômica de hoje e, incrivelmente, assegurariam a manutenção e o robustecimento do status quo político e jurídico-judicial apodrecido (Haddad). Políticas que não só empobreceram o país e seus cidadãos, mas que permitiram transformar o Brasil numa ditadura da toga, dominada por onze ministros sem votos e desconhecedores de seus limites jurídico-constitucionais e suas limitações cognitivo-intelectuais. Ministros que, de costas para a realidade, patrocinam uma anarquia socialista ou uma “democracia” meramente nominal ou de fachada, e enlameiam a credibilidade da suprema corte junto à sociedade.  

Em suma, Haddad simbolizava o atraso socioeconômico, educacional, ético, jurídico e político. Atraso pelo qual o Brasil hodierno vem pagando caro. Denotava a conivência política com a banalização do ilícito civil e criminal, com a impunidade generalizada, a bandidolatria, a violência e a insegurança pública. Conivência que traduzia o programa “educacional” de imbecilização, doutrinação e lavagem cerebral de crianças e jovens em massa, desarmonizando famílias e destroçando o potencial humano inato para o desenvolvimento da espiritualidade.  Os fatos estão disponíveis. Basta honestidade intelectual e desapego ideológico para se obter uma percepção realística do contexto. Basta a leitura do programa de governo do PT, irônica e eufemisticamente chamado de partido dos trabalhadores.

Infelizmente, honestidade intelectual e desapego de crenças são virtudes que nenhum esquerdista possui. Repito: absolutamente nenhum. O que não significa que todo esquerdista seja desonesto ou corrupto no sentido clássico, positivado no código penal, pois honestidade e honestidade intelectual são valores distintos. Mas são, sim, moralmente corruptos quando relativizam valores para sustentar a sua ideologia asquerosa, mostrando-se plenamente “surdos”, com escuta ativa e humildade nulas. Naturalmente, beira o impossível algum deles possuir integridade, por esta pressupor honestidade intelectual. Apostaria que sequer o papa da ocasião seja capaz de se salvar!

Por outro lado, Bolsonaro trazia consigo o sonho da ruptura do sistema político em acelerada decomposição. Presumivelmente, nunca aderiu pessoalmente a falcatruas ou a propostas indecentes. O fato de ter sobrevivido aos ataques sórdidos da imprensa e de políticos adversários, saindo-se vencedor e quase morto da guerra assimétrica eleitoral, fala por si. Empático, autêntico e nada politicamente correto, expressava os anseios de uma imensa maioria da população já cansada de ser tratada como otária, angustiada e explorada há aproximados trinta anos, sob a tutela “a ferro e fogo” de uma organização multipartidária criminosa e absolutamente impune, com as bênçãos supremas.

Vale repetir: no âmago, era uma disputa entre i) a institucionalização da inversão e destruição de valores (Haddad e seu esquerdismo), com o aprofundamento da ditadura socialista da toga, da vitimização de marginais e vilanização de policiais, vítimas e reféns, das desordens sociojurídicas, da estagnação econômica, e do pensamento hegemônico-ideológico no âmbito do Estado, e ii) o resgate dos valores morais tradicionais, da família, das liberdades e responsabilidades individuais, do respeito ao ser humano pelo que ele é, independentemente de classe social, raça ou gênero, da esperança em que, nalgum dia, o Brasil se torne de efetivamente uma Democracia. Ou seja, conscientemente ou não, numa discussão política a pessoa deixa cair a carapuça e mostra quem realmente ela é.

Vejo, então, como inviável uma relação de amizade sincera, regida por valores como lealdade, confiança, honestidade intelectual, franqueza, transparência, espontaneidade, tolerância e respeito incondicional, entre um esquerdista e sua perspectiva deturpada da vida, de um lado, e alguém intelectualmente honesto, desapegado de seu próprio conhecimento, de outro.

Igualmente, tenho por irracional um profissional da psicologia aferrado à ideologia esquerdista ou defensor cego do #elenão, bordão preconceituoso, intolerante e essencialmente fascista. Porque, a última coisa que um psicólogo íntegro faria, seria prejulgamentos ou juízos de valor sobre o caráter de alguém que não conheça pessoalmente e jamais tenha lhe causado qualquer mal. E, pior: prejulgamentos com base puramente em estigmas que não se sustenta(va)m empiricamente. Evidência precisa de desequilíbrio psicológico, paradoxalmente, de quem se propôs e propõe a contribuir para o reequilíbrio psicológico do paciente. Ainda, sintoma de dissonância cognitiva (incongruência consciente entre crenças e atitudes) ou de duplipensar orwelliano (apego inconsciente a duas ideias integralmente contraditórias entre si). São, na verdade, psicólogos que carecem de psiquiatras.

Voltando ao ponto central, não significa que, em razão das discrepâncias entre opiniões políticas e valores que as lastreiam, deixaremos de amar nossos pais, irmãos ou avós. Contudo, implica, sim, que passaremos a filtrar os assuntos sobre os quais supostamente teremos a segura liberdade de conversar com eles, sem preocupações com julgamentos, reações ou desavenças. Certamente, a espontaneidade em se expressar e a confiança em poder dialogar abertamente, sem limites, sobre quaisquer temas, nunca mais: (quase que) definitivamente, dissiparam-se.

Quanto ao valor amizade, falo por mim: não considero como sendo uma legítima amizade o vínculo entre duas pessoas que não se sintam livres para conversar sobre política, em vista de uma delas ser intransigente. Não admitir pontualmente refletir a respeito da correção ou pertinência das próprias premissas, recusar-se a fazer autocríticas, a aperfeiçoar ideias cristalizadas ou, se for o caso, a mudar suas opiniões, com fundamentos em dados objetivamente irrefutáveis que fizeram transparecer as incoerências do que antes defendia e a que se agarrava cega, míope e ferozmente, é indício de que cada um deva seguir o seu caminho, separadamente.

Deixo, por fim, a recomendação de cinco livrinhos para autorreflexão: 1) Don Miguel Ruiz. Os quatro compromissos. 16.ed. Rio de Janeiro: BestSeller, 2013 (ISBN 978-85-7684-070-1). 2) Don Miguel Ruiz. O quinto compromisso. 6.ed. Rio de Janeiro: BestSeller, 2017 (ISBN 978-85-7684-464-8). 3) Don Miguel Ruiz Jr. Os cinco níveis de apego. Rio de Janeiro: BestSeller, 2015 (ISBN 978-85-7684-830-1). 4) Dr.Lyle H. Rossiter. A mente esquerdista: as causas psicológicas da loucura política. Campinas: Vide Editorial, 2016 (ISBN 978-85-6739-487-9). Ficam para a reflexão. 5) Neville Goddard. O despertar da consciência. 2.ªed. Teresópolis: Editora Universo Livros, 2019. Volume único (ISBN 978-85-9441-907-1).

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