Brasil: o que esperar de 2021?

Premissa elementar e geopoliticamente irrefutável:

estamos numa guerra de quinta geração, pouco importando o achismo de cada um a seu respeito. Só não percebem os anestesiados ou hipnotizados: há dois lados nitidamente em combate. Apesar de se desenrolar em âmbito mundial, limitemo-nos ao território brasileiro. Quem seriam os contendores?

O primeiro lado é denotado pelos defensores do globalismo: sujeitos difusos, provocadores, criminosos, inescrupulosos, maquiavélicos, psicopáticos, amorais, “espertos”, materialistas, ateístas. Tem-se por intocável e dono real do pedaço, controlador do governo, das instituições, do politicamente correto, das mentes alheias. Quem são seus componentes? Sem pretensão taxativa, destacam-se:

i) Um sistema de justiça disfuncional, totalitário, ilegítimo, instrumento maior para o fomento, a manutenção e o agravamento da desordem pública, da insegurança jurídica e do caos socioeconômico.

ii) Uma gama de políticos com mandato, que atua legislativamente em conluio com comparsas e companheiros das instituições de “justiça”.

iii) Uma nata de advogados vexaminosos, gananciosos, antipatriotas, que, com a falsa máscara da legalidade encobrindo-lhes a cara de pau da desfaçatez, age temerariamente, em detrimento do respeito às regras de direito, das liberdades mais elementares, da vontade popular majoritária ora depositada no governo legitimamente constituído, do desenvolvimento do Brasil.

iv) Uma imprensa sórdida, moralmente corrompida, ideologicamente doentia, partidária, militante, desinformativa, mentirosa, alienadora, meliante.

v) Grande parcela de agentes públicos doutrinados, selecionados a dedo – por concurso ou indicação política – e que se apossou do Estado, incapaz de separar o público do privado; “progressista” amoral e intolerante com ideias e pensamentos contrários; pseudodemocrata, abusadora da autoridade inerente ao cargo; dissimulada, intelectualmente desonesta, construtora da novilíngua politicamente correta, manipuladora das leis e da constituição.

vi) Pequena parcela de “policiais” que, “esquecendo-se” do seu papel de força auxiliar das Forças Armadas e de garantidora da ordem pública e das liberdades essenciais, implementa as ordens criminosas da chefia da ocasião, seja por medo, comodidade, covardia ou interesse inconfessável. A falta de sangue nas veias gera presumidamente amnésia: dever legal de jamais cumprir ordens ilícitas ou criminosas – como se diz na linguagem popular – “passa batido”.

vii) Demais idiotas úteis (esquerdistas imbuídos, lutadores pela “causa”) e inúteis (“Maria vai com as outras”) de cabeças lavadas, espalhados por essas terras de Malboro, que aplaudem as idiossincrasias da trupe institucional, de “especialistas” integrantes de entidades privadas, ou de anônimos ainda camuflados numa coletividade sem rosto.

Em comum a essa gente: todos absolutamente certos de que estão livres, leves e soltos para atacarem orquestrada, impunemente e com quaisquer meios imagináveis, o chefe do Poder Executivo, de governo e de Estado, seus ministros, seus apoiadores – pessoas físicas ou jurídicas – e, inclusive, as Forças Armadas, únicas e últimas bastiães de nossas liberdades; liberdades ora sob intensa opressão e agressão sem freios. Allan dos Santos e Oswaldo Eustáquio, Sara Winter e Roberto Jefferson, o general Pazuello e, inacreditavelmente, o próprio presidente da República, Jair Bolsonaro, chefe da Polícia Federal, já foram vítimas da banda podre policial. Banda podre que sequer processo administrativo responde pelos ilícitos que concretizam! Por quê?

Essa massa de incontestes inimigos da nação atua como bem lhe convém, à margem ou não da lei. No fim das contas, o tal “ativismo judicial” segura as pontas soltas, valendo-se de sua pura vontade de poder, imposta e autocraticamente validada por uma doutrina ilógica, que idiotiza e aprisiona cognitivamente “99,99%” da população.

Do outro lado da guerra, está aquele que maximamente representa a soberania popular: o presidente da República que, não por acaso, é o chefe supremo das Forças Armadas. Supostamente, já deu a entender que conhece bem o modus operandi pilantra dos inimigos do Brasil e saberá o que fazer, acaso o avanço ousado e abusado aproxime-se da trincheira presidencial e popular.

Junto ao Bolsonaro, encontram-se em torno de 70% do povo brasileiro, trabalhador, conservador, teísta. Povo este que lhe assegura o poder constituinte originário, de direito ou de fato, para fazer o que tiver que ser feito, sempre e quando entender oportuno à garantia de suas prerrogativas e competências legais e constitucionais, e, sobretudo, das liberdades individuais. Mas povo desarmado, passivo, assustado, acostumado a ser docilmente subjugado à força por ilicitudes diversas, reiteradamente patrocinadas por agentes públicos e, em especial, da “justiça”.

Compreensível: se “99,99%” dizem “amém” para qualquer espirro togado e mesmo que aberrante, por estarem cognitivamente encarcerados e mentalmente tolhidos, fácil, por exemplo, para agentes inimigos que “governam” estados e municípios, também se autocolocarem acima da lei e, por decretos, partirem para cima do povo “irresponsável” que insista em trabalhar ou empreender para garantir o autossustento ou o sustento de sua família.

Se o trabalho e a livre iniciativa são fundamentos da República, isto é um “detalhe” de somenos importância constitucional. Associados à capa preta e aos policiais carecedores de transfusão sanguínea, e confiantes na paralisia cognitiva do povo de bem e dos que democrática e legitimamente o representam, esses “governantes” ficam imbatíveis. Ao menos enquanto o imponderável não der o ar de sua graça, fazendo valer a lei universal “as ações são opcionais; as consequências, compulsórias”.

Expostos resumidamente o cenário e os agentes da guerra não convencional em pleno vapor, não declarada, tida por muitos como “teoria da conspiração”, e que infelizmente pouquíssimos enxergam, volto à pergunta do título: o que esperar de 2021?

Obviedades, a depender de quem vencer a guerra. E nem se venha com a extrema alegação utópica, inocente e inconscientemente embasada no politicamente correto (“democracia”, “democracia”, “democracia”…), de acreditar que o Brasil encerrará o período mais tenebroso de sua história e passará a prosperar, devido a novos ares produzidos em razão da vitória do Rodrigo Pacheco e do Arthur Lira para a presidência do senado e da câmara, da potencial indicação da Bia Kicis para a presidência da Comissão de Constituição e Justiça da câmara, da aprovação de um ou outro projeto de lei ou proposta de emenda constitucional, dentre outros eventos políticos meramente secundários, ilusórios e desviantes da causa da distopia Brasil.

A causa, amigo leitor, amiga leitora, talvez esteja passando despercebida. Explicável: o aprisionamento cognitivo praticamente nos impede de desvelá-la. Eis o cancro: o golpe de estado consumado e dissimulado por defraudamento constitucional, via manipulação semântica da linguagem e do conteúdo de princípios, e a imanente ruptura do estado de direito, via ativismo judicial atentatório à independência entre os Poderes, ao regime com pretensão democrática, à federação, às liberdades fundamentais, à segurança nacional. A banalização generalizada do ilícito, a certeza psicológica e jurídica da impunidade, e o que se vem fazendo com a pessoa do chefe de Estado, com a instituição Presidência da República e com as mais básicas das liberdades individuais – tais como as de se expressar e se autossustentar -, falam por si.

Sem adentrar mais a fundo no bombardeado chiqueiro tupiniquim, especificando ou apontando coisas que poderiam ser efetivadas para retirar o país das garras do arbítrio de gente que, numa democracia de verdade, deveria estar vendo o “sol nascer quadrado”, fecho com as palavras do professor Olavo de Carvalho. Para um bom entendedor, são mais do que suficientes para o despertar da consciência política e para um senso de realidade.

“Uma democracia não pode ser instaurada por meios democráticos: para isso, ela teria de existir antes de existir. Nem pode, quando moribunda, ser salva por meios democráticos: para isso, teria de continuar saudável enquanto vai morrendo. O assassino da democracia leva sempre vantagem sobre os defensores dela. Ele vai suprimindo os meios de ação democráticos e, quando alguém tenta salvar a democracia por outros meios – os únicos possíveis-, ele o acusa de antidemocrático. É assim que os mais pérfidos inimigos da democracia posam de supremos heróis da vida democrática.”

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