A regra é infalível: pela comunicação, mostramos quem somos.

Josias de Sousa, jornalista, escreveu

um artigo, em 07/04/2019, com o título “Em 100 dias, Bolsonaro não levou governo para a direita, puxou-o para baixo” (sic). Como de praxe, deprecia, critica, acusa e faz prognóstico para lá de pessimista sobre Bolsonaro, suas atitudes, seu Governo.

Baseia-se em pesquisa do datafolha, “atestando” que a “fatura da inépcia” presidencial será cobrada. Endossa alegação leviana de que “até quem gosta dele” se decepcionou, como se, no geral, a impaciência como desvalor, a ignorância e a incompreensão da realidade política constituíssem o modo “comum” de ser do eleitor de Bolsonaro. Ironizando a frase “conhecereis a verdade, e a verdade vos libertarás“, disse que “o demônio controla o Planalto quando não há uma diretriz“.

Com a “sabedoria” peculiar dos “bons jornalistas”, certificou: “Para prevalecer nas urnas, bastou Bolsonaro surfar na onda do antipetismo e enrolar-se na bandeira antissistêmica.” Também com a pompa de presumido “conhecedor” da política, depositou nas costas do atual Presidente a responsabilidade exclusiva pela aprovação das reformas da previdência e da legislação anticrime, além de culpá-lo pelos atritos com Rodrigo Maia, concluindo que “o pior tipo de ilusão que pode acometer um presidente é a ilusão de que preside“.

Não satisfeito, previu que o “declínio” da popularidade do Presidente trará custos políticos e financeiros ao Brasil, como se a legitimidade do Bolsonaro dependesse de “negociações” com o Legislativo, que certamente, “no varejo”, cobrará um preço mais elevado do que “no atacado”.

Mas, como “jornalista” supostamente interessado em que o Governo dê “certo”, sugeriu ao Presidente que regulamente a “filhocracia”, “desligue Olavo de Carvalho da tomada“, troque da Esplanada o “elenco da ala circense“, comece a “fazer política a sério” e pare de “conspirar contra si mesmo“, deixando de “falar mal dos outros” e de “elogiar a ditadura militar“. Afinal, “O capitão foi eleito para resolver problemas, não para se tornar um problema“.

Esse artigo do Josias retrata bem a “perspicácia” dos “jornalistas” que só entendem da velha política e dela se locupletaram a vida inteira. Da velha política que sempre adoçara as suas bocas. Destaco a premissa doentia que a sustenta, entranhada no subconsciente “jornalístico” e político, no sentido de que o Congresso Nacional é passivo por essência, devendo ficar no aguardo das “articulações” do Presidente para que se forme a “base parlamentar” indispensável à aprovação das reformas necessárias ao desenvolvimento sócio-econômico do país.

Premissa que valeria por si só, como se o Legislativo não conhecesse a realidade sócio-econômica do país; como se os projetos do Governo fossem dissociados dos interesses dos cidadãos, da sociedade, do país; como se o legislador tivesse obrigação de aprovar algo somente após ser bajulado pelo Presidente, e não assumisse quaisquer responsabilidades política, social ou econômica pela rejeição ou aprovação de medidas normativas!

O fato é: todo parlamentar é alfabetizado e tem suas próprias convicções, não precisando ser convencido por ninguém. Até porque é impossível convencer quem não deseja “ser convencido“. Ainda: se o deputado efetivamente “aceita” ser convencido, basta ler o projeto e estudá-lo, de modo a se autoconvencer. Não precisa de babá. A não ser que o “autoconvencimento” esteja condicionado a alguma benesse governamental a qual espera ansiosamente que lhe seja oferecida, mesmo que alheia ao mérito das propostas de reforma, tal como o “privilégio” de “participar” do Governo.

Outra constatação: pelos olhos do jornalista “analista”, nada, absolutamente nada prestou nos 100 dias iniciais de Governo, que, a seu entender, lembra um picadeiro. Ter enviado ao Congresso dois projetos fundamentais de reforma não tem a menor importância, porque, na forma, o Presidente não se adequa ao molde preferencial da imprensa e, no conteúdo, a confronta via de regra. É o avesso do governante generoso com verbas públicas e esquerdista politicamente correto. Pelo contrário, sofre de “sincericídio” que faz doer o coração de seus detratores, que “normalmente” falam o que querem, mas, covardemente, não suportam escutar o que não querem, e saem correndo para as barras da saia de um judiciário endeusado e, em boa parte, também domesticado pelo mesmo discurso retórico, politicamente correto e em crescente descrédito, tamanha a fragilidade das fundamentações!

A coisa mais fácil do mundo é enxergar defeitos nos outros. Porque, no fundo e inconscientemente, quem aponta vícios nos outros tem em si iguais falhas de valor ou de caráter das quais se vale para prejudicar, concluir, acusar, culpar. Não compreende, não percebe a existência, ou sequer ouviu falar do princípio da dualidade. Natural que não saiba lidar consigo, com seus dragões emocionais internos.

Regulamentar a “filhocracia“? Todos adultos, políticos e com mandato. Todos com direito à liberdade de expressão. Falam ou fazem bobagens? Que respondam por si. Prejudicam o Governo do pai? Ponto de vista subjetivo: se eu quiser responder “sim“, racionalizo facilmente neste sentido. Mas, como já deixaram a tutela do pai há quase duas décadas, vejo como puro oportunismo colocar no colo do progenitor a responsabilidade política pelas atitudes que têm.

Desligar o Olavo de Carvalho da tomada.” Poderia contraquestionar: “Por que o Presidente não desliga também os seus Josias, as senhoras Leitões, Contanzas e congêneres, as Globos, Folhas e afins, que nada agregam ao Governo e ao jogo democrático, com seus pitacos tendenciosos e manipulativos de informações?” O Presidente não “desliga” ninguém porque é democrata e tem “couraça de crocodilo“, o que, no país da intolerância, evidencia uma tolerância escassa e digna de respeito.

O Olavo mora nos EUA, não tem vínculo com o Governo e, assim como o seu Josias e todos os demais “jornalistas” e pouquíssimos Jornalistas, tem o pleno direito de se expressar livremente. Com uma grande diferença: gostem ou não do que ele diz, a sua argumentação é sólida e muito bem construída. É intelectualmente honesto: bate nas feridas; contextualiza; rebate todas as objeções; não distorce nem omite fatos ou circunstâncias; não racionaliza; e muito menos foge de debates; pelo contrário. Erra por ser impaciente e intolerante com má-fé e, daí, torna-se excessivamente reativo, direcionando ofensas ou xingamentos a seus alvos de análise, na maioria das vezes, seus agressores em primeiro lugar. Peca mais ainda quando prejulga e resolve atacar verbalmente os militares do Governo, sem nenhuma prova concreta que justifique a grosseria. Se exagerou, que responda judicialmente, se assim pretenderem as suas vítimas.

O que em hipótese alguma procede é se exigir do Presidente que tome partido de A ou B, comprando uma briga que não lhe cabe. Dizer que o silêncio presidencial implica em dar respaldo implícito ao Olavo é nítida intriga dos que torcem para que se indisponha com antigos amigos da caserna. Pior: é ousadia irresponsável de quem não é e jamais será Chefe de Poder, autoconfissão inconsciente de quem é dominado e conduzido exclusivamente pelo próprio Ego na tomada de decisões, e desconhecedor por completo do motivo pelo qual está vivo. Autoconhecimento nulo.

Por outro lado, os “jornalistas” fazem exatamente o oposto dele: extremamente desonestos intelectualmente e rasos na argumentação. Descontextualizam, distorcem dados, manipulam manchetes das notícias, omitem o que lhes desinteressa. Não à toa seus jornais perdem assinantes frequentemente. Contudo, não xingam ostensivamente o seu alvo, apesar de o achincalharem, acobertados pelo “mantra” de que a imprensa, indiscriminada e incondicionalmente, exerce papel “indispensável” à “democracia”. Mentira deslavada. Na concepção que reina por aqui, para a imprensa, vale tudo, informe ou desinforme; tanto faz.

Ernesto, Vélez, Damares, todos “seres circenses“, segundo o “nobre” Josias”. Calados ou falantes, o estigma já está preconcebido em míseros 100 dias de Governo, com suficientes poucos atos administrativos praticados, no âmbito de ministérios que atuavam disfuncionalmente há anos. Memória curta desse Josias, incapaz de olhar para os governos anteriores e reconhecer que o “circo“, além de gigante, esteve sempre na iminência de incendiar seus cidadãos, expectadores inocentes! Mais de três décadas de dilapidação do erário, para o Josias, deduzo não ser brincadeira para palhaços. Suponho que tenha sido o “fazer política a sério“, na ótica míope do Josias.

Compreensível“: é coisa de “profissional“, apoiada veladamente por “jornalistas” críticos tal qual o seu Josias, que conseguiram camuflar o verdadeiro picadeiro de antanho, da inocência dos incautos cidadãos. Cidadãos, previsivelmente mais preocupados em não serem vítimas de crimes e com o sustento da família, numa “democracia” que cada vez mais vinha os estrangulando social e financeiramente, do que em achar graça no que faziam os “artistas” de outrora, mestres na “arte da política” desejosa pelo seu Josias. Porque, como no Brasil dos últimos 30 anos foi a única “arte política” existente, obviamente que o “fazer política a sério” com ela se confunde, imperiosamente.

Deixar de falar mal dos outros“. De fato, não se ganha nada com isso. Aliás, isso vale para qualquer pessoa, inclusive para o seu Josias – que implicitamente chamou ministros de “palhaços” – e seus companheiros da mídia destrutiva de reputações e de conteúdo intelectualmente pífio.

Mas por que então “falar mal” é o que os “jornalistas” mais fazem? Depreciam o Presidente, ironizam-no, debocham de sua pessoa ou de quem quer que contrarie a cartilha bandidólatra e valorativamente enviesada da imprensa. “Não faça aos outros o que não gostaria que lhe fizessem“; regra de ouro ensinada há mais de 2 mil anos, mas inaplicável aos “jornalistas” “fiscais” do Governo. Hipocrisia e mau-caratismo inegáveis.

Defender a ditadura militar, teoricamente, não ajuda em nada o Governo. Era, sim, evitável. Mas também não tem por que atrapalhar, em razão de ser mera manifestação de opinião do Presidente, já de antemão conhecida e garantida pela liberdade de expressão. É ponto de vista pessoal sobre fatos ocorridos dentro de um contexto histórico, passível de múltiplas leituras. Gostem ou não, num Estado pretensamente pluralista (CF,1,V), “têm que engolir“, como disse o vitorioso Zagallo, em momento de desabafo.

Fazer política a sério“. Gostaria que o “jornalista” fosse mais específico e explicasse o que significa “a sério“. Presumo que seja fazer o que o FHC, o Lula e o Temer fizeram, por serem os únicos que conseguiram passar ilesos pelo impeachment. Não obstante o primeiro ter inventado a fatídica reeleição tupiniquim, gestado na prática o presidencialismo de “cooptação” – eufemisticamente chamado de “coalizão“- e infiltrado o Gilmar Mendes no STF; o segundo, ter sido o pai do Mensalão, fiador do Petrolão, ter enxertado Toffoli e Lewandowski também no vazio Supremo, e estar preso; e, o terceiro, estar mais do que encrencado judicialmente.

Ao seu Josias, relembro uma lição valiosa de Aristóteles, desde sempre atualíssima: “A liberdade só funciona numa sociedade onde haja virtude.” Como virtudes não são o forte em nossa Cleptocracia, o exercício da liberdade de imprensa, na pena dos Josias e genéricos similares do “jornalismo” cúmplice na desinformação proposital, não poderia destoar desse karma coletivo negativo.

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